sábado, 30 de janeiro de 2016

CORDEL DA EDUCAÇÃO

I

Minha senhora peço licença,

Licença peço meu senhor

Para lhe contar com ardor

E sem precisar de andor

Nesta terra dos carnaubais

Que amo com profundo fervor



II

Tenho visto nesta vida

Muita gente a reclamar

Dizendo que não sabe mais

Como a lida tocar, Eu lhes digo porém

Caminho outro não há

Que não seja o de estudar


III

Tenho visto muito marmanjo

Passando  tempo a dormitar

Fazendo as vez de anjo

Sem pensar em se qualificar

Então lhe digo menino

Vá embora estudar.


IV

Me lembro quando criança

Pretinho que nem tição

Morando na rua do córrego

Que tive minha primeira lição

Com Dona Noêmia Navarro

A quem guardo no coração


V

No alpendre da velha casa

Aprendi a ler e escrever

Em volta da velha mesa

Meninos sentados a ler

Descobrindo cada letra

Como elas se juntavam a fazer o meu dever


VI

Filho primeiro da prole

E por adoção tomado

Recebi como presente

Meu primeiro caderno encapado

Prá nele escrever minha história

E um dia ser um doutor formado


VII

Estudei lá no IPI

Uma escola regular

Muitas emoções senti

Dá gosto de relembrar

De Dona Zefinha lembro

O primeiro bê a bá


VIII

Foram oito anos a fio

Estudando sem ter dó

Construindo da minha vida o rio

Que me elevaria ao sol

Aos professores agradeço

Da minha vida o farol


IX

Tive maravilhosos mestres

Que com zelo e dedicação

Me mostraram sem muitos pudores

Que através da educação

Eu teria, da vida,  os sabores

Que guardo no coração


X

Sempre gostei de inglês

Por isso comecei a estudar

De Dona Dulce Macêdo

Quero agora relembrar

Que me ensinou nessa língua

Os primeiros passos a dar


XI

Conclui o fundamental

Me mudando pro JK

Alí encontrei mestres serenos

Os melhores do lugar

Relembro Antônio Justo

E o verbo To Be a soar


XII

A vida tem certas coisas

Que é difícil de explicar

Da escola me ausentei

Para poder trabalhar

No rádio fiz profissão

Andando de lugar em lugar


XIII

Mas, eis que um certo dia

Atendendo uma necessidade

Fui substituir um amigo

Queimados era a cidade

Lecionando  a Língua Inglesa

Sem ter dó nem piedade


XIV

Descobri naquele instante

O que me fazia feliz

Queria era ser professor

E ter no ensino raiz

Da sala de aula um defensor

Do saber uma matriz


XV

Na UERN eu adentrei

No ano de 2005

Cursando Letras/Inglês

E estudando com afinco

Relembro o Doutor Júlio César

Que da linguística abriu o trinco.


XVI

Concluída a graduação

desejei ir mais além

E na UFRN

ser mestre foi minha ação

Nunca teve um porém

Que me afastasse da educação


XVII

Hoje sou professor

Que busco aprender a lição

Não me vejo fazendo outra coisa

Que não seja educação

Aos meus colegas eu peço

Abracem esta causa com paixão


XVIII

Aos mestres aqui presentes

Sou cheio de gratidão

Por acreditarem sempre

Nessa tal educação

Invocando a Jesus Cristo

O grande Mestre deste mundão.

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